Escassez de Matéria Prima

Há algumas semanas atrás, trouxemos aqui no Plantão JN uma notícia sobre a retomada do setor industrial. O retorno às atividades em alta intensidade, fez com que a indústria apresentasse altíssimo crescimento quando comparado ao desempenho dos primeiros meses da pandemia no Brasil.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre março e abril, a produção industrial brasileira acumulou queda de 27%. Desde então, o setor vem se recuperando mês a mês, mas somente em setembro retomou o nível de fevereiro.

O problema é que os produtores estavam apostando em um crescimento mais lento, e, por isso, estão enfrentando outro problema: falta de matéria prima para que a produção supra toda a demanda.

Essa escassez atinge praticamente todas as atividades. Os relatos são de falta de caixas de pizza, aço, cobre, resinas plásticas, produtos químicos, embalagens de papelão, plástico e vidro, algodão e tecidos, placas de MDP, MDF e espumas utilizadas na fabricação de móveis, e até do sebo bovino utilizado na produção de sabonetes.

A escassez generalizada e alta de preços de insumos acontece por:

  • Redução da produção no começo da pandemia – com a expectativa de uma queda aguda da demanda e sem perspectivas de quando o consumo iria se normalizar, além da necessidade de cumprir regras de distanciamento social para segurança dos trabalhadores nas fábricas, as indústrias botaram o pé no freio na produção.

 

  • Consumo de Estoque – Sem produzir, a indústria precisou gerar caixa para honrar seus compromissos financeiros. Com isso, muitas empresas consumiram seus estoques, tanto de insumos, como de produtos acabados. Quando a atividade começou a retomar, esse duplo movimento resultou em um desencontro: varejistas precisando comprar para repor estoques e indústrias com a produção ainda reduzida e sem estoques para atender à demanda do comércio e de outras indústrias.

 

  • Recuperação mais rápida do que o esperado – a recuperação mais rápida do que o esperado se deve em grande parte ao auxílio emergencial cedido pelo governo. Depois de 2 meses de demanda baixa, o governo, através do auxilio emergencial, concedeu quase R$ 300 bilhões para 66 milhões de pessoas e esse dinheiro foi imediatamente para o consume.

 

  • Alta do Dólar – Por se tratar de uma pandemia, os efeitos foram mundiais, e a demanda externa por commodities brasileiras explodiu, principalmente vinda da China. Esse forte aumento das exportações foi favorecido ainda pelo real desvalorizado em relação ao dólar, que torna mais rentável para as empresas vender para fora do que para o mercado interno. Ao mesmo tempo, o dólar alto inibe importações, o que também reduz a oferta de produtos no mercado doméstico.

 

  • Logística – No começo da pandemia, muitos navios ficaram parados, impedindo o trânsito de insumos. Além disso, com a redução no número de voos internacionais houve queda na oferta e encarecimento do frete aéreo, dificultando a importação de diversos produtos.

 

Efeitos na economia: além de frear um tanto a recuperação da atividade, gera uma pressão de preços e custos ao longo das cadeias produtivas.

 

 

Quer ficar por dentro das principais notícias da semana? Assista ao Plantão JN.

 

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55048624
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